BERTRAN EVARINI

Autópsia do Silêncio

Por Bertran Evarini

Um anúncio morreu. Transformamos essa premissa em um fake trailer de Halloween: uma investigação noir criada com IA, roteiro, edição e sonorização.

Meu papel: Roteiro, geração de imagens, geração de vídeos, edição e sonorização.

O caso: quem matou o anúncio?

Em Autópsia do Silêncio, a vítima é um anúncio. O que poderia ser uma conversa sobre comunicação vira uma investigação criminal, com cena interditada, documentos, suspeitas e um quadro de evidências. É um trailer de um filme que não existe, desenvolvido em colaboração na PB Marketing Digital para o Halloween.

A metáfora aproxima dois universos: o suspense de descobrir o que aconteceu e a pergunta que incomoda quem trabalha com publicidade — por que uma mensagem aparece para tanta gente e, ainda assim, não encontra resposta? Essa pergunta move a ficção.

Meu papel, da primeira cena ao último corte

Fiquei responsável pelo roteiro, pela geração de imagens, pela geração de vídeos, pela edição e pela sonorização. Isso me colocou em todas as etapas de construção do filme: organizar o que cada cena precisa contar, criar os quadros, transformá-los em movimento e encontrar a relação entre imagem, ritmo e som.

O Vitor Fumagali, redator da agência, contextualizou e adaptou o projeto, criou sua narrativa literária na sinopse e fez a capa do vídeo. Minha condução audiovisual e a contribuição dele se encontraram na mesma ideia. Foi um trabalho de equipe, com responsabilidades diferentes e espaço para interferir na criação.

Um universo que precisa continuar de um quadro para outro

O filme trabalha com uma linguagem próxima do noir: preto e branco, sombras marcadas, luz recortada, corredores escuros e personagens de colete e gravata. A investigação aparece primeiro pelo espaço e pelos objetos. Só depois se aproxima do rosto do investigador.

As árvores de imagens e de vídeos mostram como esse universo foi organizado. Referências de personagens e ambientes se ramificam em cenas, e os quadros de concepção alimentam as sequências em movimento. Essa organização dá contexto para cada geração; o plano seguinte precisa pertencer ao mesmo filme, mesmo quando muda a distância da câmera ou o ponto de vista.

Árvore de geração de imagens de Autópsia do Silêncio, conectando referências de personagens, cenários e quadros da investigação.
Da referência ao quadro: organização das imagens e das relações entre personagens, ambientes e cenas.
Árvore de geração de vídeos de Autópsia do Silêncio: quadros estáticos ligados às sequências em movimento do trailer.
Do quadro ao movimento: os encadeamentos de geração das sequências do trailer.

O anúncio vira evidência

Um documento passa de mão em mão. Os passos conduzem a investigação. No quadro de pistas, palavras como “criativo” e “venda” trazem a publicidade para dentro da cena. Mais adiante, as sombras assumem uma forma monstruosa: o caso deixa de parecer apenas policial e encontra o Halloween.

Esses elementos dão à premissa uma forma visual. Em vez de explicar o conceito inteiro de uma vez, o trailer entrega fragmentos: um lugar, um objeto, uma pista, uma ameaça. O espectador monta a relação entre eles enquanto o filme avança.

Fachada escura com escadaria iluminada e fumaça na abertura da investigação.
A cena do caso.
Dois investigadores de colete e gravata caminham por um corredor escuro.
Personagens e atmosfera noir.
Mãos entregam um documento marcado como confidencial sob um facho de luz.
O anúncio se torna evidência.
Investigador diante de um quadro de pistas iluminado por uma luminária.
Organização das evidências.
Cartão com a palavra criativo preso ao quadro de investigação.
A publicidade dentro da ficção.
Sombra monstruosa projetada sobre a persiana na sala de investigação.
O suspense encontra o Halloween.
Mãos seguram um jornal com a manchete sobre um anúncio encontrado morto.
A premissa toma forma de notícia.
Retrato frontal do investigador em preto e branco, com luz dramática.
O caso se aproxima do personagem.
Close do rosto do investigador, com bigode e luz lateral.
Um rosto antes da revelação do título.

Da geração à montagem

O formato vertical orienta o enquadramento: portas, fachos de luz, figuras inteiras e closes ocupam o eixo do quadro. Na montagem, a passagem dos ambientes para as evidências e, depois, para o rosto concentra a atenção antes da entrada do título.

O vídeo final tem pouco menos de 48 segundos. O desafio é fazer a ideia funcionar nesse intervalo, sem transformar o trailer em uma explicação longa. As imagens geradas são matéria de trabalho; a seleção dos planos, a duração dos cortes, a edição e a sonorização dão forma à experiência final.

Bastidor: o jazz ficou de fora

A sonorização também ficou comigo. E a criação em equipe teve um detalhe que merece registro: eu queria usar jazz no vídeo. O Vitor não deixou. Haha.

Entre roteiro, imagens, movimento, som e a leitura literária da sinopse, cada um trouxe uma contribuição diferente. O resultado é essa pequena investigação de Halloween sobre um anúncio que morreu — e sobre o silêncio que ele deixou.

Sinopse — por Vitor Fumagali

As ruas de Saint Joachim escondem monstros em plena vista. Nem os lampiões ou as brasas insignificantes da lareira revelam suas aparências indescritíveis - a grotesca natureza egomaníaca que se abriga sob feições tão familiares, cumprimenta os vizinhos e fecha as cortinas antes do anoitecer.

Os moradores mais antigos falam de uma presença que chega durante o sono. Atribuem-lhe muitos nomes, embora baixem a voz antes de pronunciar qualquer um deles. Dizem que primeiro ela aparece nos espelhos, num ponto escuro atrás do ombro. Depois, mesmo longe do vidro, permanece a sensação de estar sendo observado.

Foi numa dessas noites que o trouxeram até nós.

Haviam levado seu rosto a todos os cantos da cidade. Pagaram aos arautos, compraram lugares nas praças, fizeram sua promessa atravessar portas que jamais lhe seriam abertas. Milhares testemunharam sua existência. Pouquíssimos deram sinal de reconhecê-la. Seus criadores atribuíram o silêncio à distância. Alimentaram os mensageiros com mais ouro. Ordenaram que fossem além dos muros, que repetissem o chamado, que não deixassem nenhum olhar escapar.

E o chamado foi ouvido. Nas regiões onde os mapas terminam, alguma coisa voltou a cabeça.

Desde então, os registros se multiplicam com uma abundância obscena. Há movimento nas passagens, visitantes à soleira, pequenos sinais que os responsáveis recebem como bênçãos. Todas as manhãs, contam-nos com devoção. Todas as noites, oferecem mais.

Mas ninguém entra, ninguém permanece, nenhuma das mãos que se estendem traz aquilo que lhes fora prometido. Os mais devotos insistem que falta apenas uma nova oferenda. Entre os papéis do morto, encontramos a mesma súplica, repetida até perder o sentido. Falava longamente de suas virtudes, de sua grandeza, de tudo o que desejava que o mundo visse.

Não havia uma única palavra dirigida a quem deveria responder. Talvez por isso a outra coisa tenha respondido primeiro.

Créditos do projeto

Projeto colaborativo na PB Marketing Digital.

Bertran Evarini: roteiro, geração de imagens, geração de vídeos, edição e sonorização.

Vitor Fumagali: contextualização e adaptação do projeto, narrativa literária da sinopse e capa do vídeo.

Quer construir uma narrativa audiovisual com IA para a sua marca? Vamos conversar sobre a ideia e o que ela precisa comunicar.

Vamos conversar sobre seu projeto